A vacinação contra a covid-19 no mundo

Negacionismo anestesiante reabre economia sem achatar a curva

Livraria Indigital
Imagem: arte sobre bandeira

Com o número de contaminação em franca ascensão, os dados científicos avisam: é necessário tomar medidas drásticas para evitar uma catástrofe ainda maior. Com quase 27 mil novos casos de Covid-19 confirmados somente no dia 29 de maio, esse era o número total de pessoas contaminados no Brasil inteiro no dia 15 de abril – quando cidades e cidadãos ainda respeitavam algum tipo de isolamento social.

Quase 27 mil novos casos diários de Covid-19 confirmados no Brasil

Covid-19 se consolida como a principal causa de mortes no Brasil

O vírus se aproxima de todos, e os governos, em maior ou menor grau, estão ignorando e mandando ‘a boiada’ para o matadouro. A Covid-19 mata mais que atropelamento de automóvel, mata mais que bala de revólver. A doença ultrapassou o câncer e as doenças cardíacas no Brasil e se consolidou como a principal causa de óbitos no país.

Em nome da liberdade de expressão, toleramos o orgulho da ignorância

Casos confirmados de Covid-19 no mundo em meados de Março/2020. Reprodução: Bing.

O Brasil, sozinho, tem hoje mais que O DOBRO de pessoas mortas por Covid-19 que o MUNDO INTEIRO tinha há 60 dias, incluindo todos os países e a China, que decretou o fechamento de cidades inteiras, entre outras medidas, e que permitiram o controle da doença e a volta parcial das atividades gradualmente e ainda não retomou o ritmo que tinha antes do surto de coronavírus.

O Brasil viu o número de mortes DOBRAR nos 15 últimos dias do mês de maio de 2020. Eram menos de 15.000, agora já beiram os 30.000.

Junho inicia com 500.000 casos no Brasil

Apesar da situação assustadoramente catastrófica, não ouvimos dos governantes no Brasil preocupação genuína com a diminuição do contágio, das mortes, ou coragem para enfrentar sem demagogia os eleitores ignorantes com dados científicos.

Pelo contrário: ouvimos sobre a queda na arredação, o desemprego, a demagogia de que “quem não quer trabalhar que fique em casa“. Apesar de o governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito Bruno Covas, soarem a voz da sensatez perto de Jair Bolsonaro, as atitudes práticas não condizem com o discurso bonito. Verdade seja dia: o tucanato sempre foi hábilidoso em maquiar a tirania da mão invisível.

Religiosidade, negacionismo & extremismo

À beira de um genocídio inimaginável, sem que ao menos haja uma tentativa humilde e sincera de salvar vidas, nem mesmo João Doria ousa decretar o confinamento obrigatório: a hipocrisia capitalista e o populismo eleitoreiro se sobrepõem a qualquer iniciativa humanitária genuína.

Já o presidente Jair Bolsonaro, que passou a vida legislativa em defesa de grupos de extermínio milícias e guerra civil, agora advoga pela eugenia. Tudo registrado, as frases estão todas por aí, nada vai apagá-las. Na pandemia, pode ser tachado de negacionista ou de genocida, menos de hipócrita e demagogo. Sempre perseguiu o caos, e tudo indica que vai conseguir o que dedicou a vida parlamentar para pleitear.

Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

À favor do negacionismo estatal brasileiro está o espírito santo da religiosidade. Católicos, espíritas, evangélicos – todos parecem unidos na crença de que o vírus vai desaparecer como um truque ilusionista.

Imagem: Tania Rego / Agência Brasil

O prefeito do Rio de Janeiro e bispo licenciado da igreja Universal, Marcelo Crivella, assinou decreto esta semana liberando templos de todas as religiões para cultos.

Desmanche institucional

Ao longo da história, a humanidade não apenas presenciou a dor e aprendeu com ela, como construiu um conjunto de instituições que formam uma rede mundial de proteção à vida. Assistimos agora a um desmonte veloz de tudo isto.

A ONU e a OMS, além de outros organismos multilaterais, tem sofrido ataques sistemáticos dos governos nacionalistas ao redor do mundo – em especial dos governos populistas de Donald Trump e de Jair Bolsonaro.

Esta semana, o presidente dos Estados Unidos rompeu relações com a Organização Mundial de Saúde.

Além disso, o Brasil vê a legitimidade do próprio governo derreter mundo afora. Sem um ministro titular da Saúde há 15 dias, após a demissão de dois médicos que se opuseram à cloroquina como política estatal de combate ao coronavírus, o país segue sem um plano integrado de combate à pandemia.

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