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Se o futuro repetir 2020, é melhor se despedir da civilização

Foto: zef art, Shutterstock
Livremente inspirado em leituras
de diversas fontes durante
o isolamento social.

Se o futuro vai ser como o presente, nossa civilização vai entrar em colapso. Para sobreviver ao longo do colapso, precisamos começar a empregar um princípio socioeconômico em uma escala nunca antes vista na história, que é o seguinte: os estímulos de hoje devem resolver os problemas de amanhã. Se não começarmos a empregar esse princípio aqui e agora, nossa civilização tende a desaparecer.

Nossa civilização vai enfrentar entre três a cinco décadas de desastre e ruínas sem paralelo, na maior escala possível. Em cada década seguinte, uma nova onda de catástrofe vai desencadear depressão econômica, agitação social, incompetência e impasses políticos e caos humano. Pense nos efeitos do coronavírus – mas pelo resto da sua vida.

O século XXI será a primeira vez na história que a espécie humana deixará de aumentar, expandir e crescer. A população humana é – pela primeira vez na história – projetada para finalmente atingir o pico por volta de 2050. Repito: pela primeira vez na história, em cem mil anos, vamos deixar de nos multiplicar e vamos começar a encolher.

“E daí?”, você pensa

O encolhimento da raça humana é um dos eventos mais significativos de todos os tempos, e não digo isso por causa da hipérbole. É uma projeção tão significativa que ainda nem começamos a pensar nos efeitos reais. Acredito que esta projeção populacional explica tudo, desde a onda de fascismo de hoje até as mudanças climáticas – a necessidade urgente e desesperada de melhores paradigmas de tudo, da economia à política e à sociedade.

Como é o futuro, então?

Primeiro vem a catástrofe climática, nos anos 2030 – e as ondas de depressão econômica, fuga humana, migração desesperada e ruína social serão desencadeadas à medida em que as cidades são inundadas e os continentes começam a pegar fogo, literalmente. Hoje, você está em casa se perguntando se ainda tem um emprego. Amanhã, você não terá uma casa – e um “emprego” será um luxo para poucas pessoas sortudas. Hoje, você está se perguntando se o governo vai ajudar você – amanhã, você terá sorte se houver um governo em funcionamento. Mas isso é apenas o começo.

O século XXI será o mais dramático e perturbador de todos

Nos anos 2040, vem a Grande Implosão. Os ecossistemas do mundo, morrendo, finalmente alcançam pontos críticos. Enquanto isso, lá se vão os sistemas e estruturas de nossa civilização. Cadeias de suprimentos – destruídas. Economias destruídas, pois as matérias-primas e os insumos vão de escassos a indisponíveis. Sistemas financeiros – incapazes de pagar por tudo. Sistemas sociais – incapazes de cuidar das enormes ondas de pobreza que abalam nação após nação.

Por fim, nos anos 2050, chega o adeus final. Os animais começam a morrer, a começar pelos insetos essenciais para as nossas colheitas. O solo se transforma em pó. Os peixes que limpam os rios, dos quais bebemos água, disputam espaço com o plástico se sobrevivem à poluição. Nossos mananciais se transformam em lama. Os bichos, grandes e pequenos, nos quais ainda confiamos para tudo, desde a comida que comemos até o ar que respiramos, morrem. Como eles, nossa civilização também. Incapazes de nos alimentar, de nos vestir, de nos nutrir ou de molhar a garganta, começamos a morrer.

Nesse ponto, as nações começam a travar uma disputa desesperada e brutal pela subsistência. Pense em como os EUA tentaram desviar as máscaras destinadas à Europa – e agora imagine quão pior será a situação quando as disputas forem por água, comida, ar e dinheiro.

O fim da democracia

A pessoa comum, já cansada de décadas de colapso, finalmente desiste da democracia. A onda de demagogia que começou a varrer o mundo nos anos 2010 – com o fracasso do neoliberalismo em fornecer vidas decentes para as pessoas – seja na Índia, Estados Unidos, Brasil ou Grã-Bretanha, agora é permanente e definitiva. Tudo o que há agora são demagogos demonizando refugiados climáticos, culpando vizinhos e aliados que antes eram confiáveis, construindo campos de concentração e prometendo os frutos da violência aos irmãos patriotas de sangue puro.

Esta é uma amostra do Longo Colapso. Eu não sou dado a teorias da conspiração ou teses apocalípticas. Mas preciso ser sóbrio e realista agora, se quiser fazer meu trabalho, que é conversar com você seriamente sobre o futuro.

O que eu vejo é apocalíptico. E você também precisa poder ver. Imagine mais três décadas como os últimos três meses? Ou mais trinta anos como os últimos doze meses? É exatamente onde estamos agora como raça humana: uma civilização à beira do colapso.

“Você está exagerando”

Se você duvida de mim, considere o seguinte: uma pandemia relativamente pequena prejudicou nossa civilização – apenas uma – provocando ruína econômica e devastação social que vai durar a maior parte da próxima década. E as mudanças climáticas, extinção em massa, colapso ecológico, uma economia global estagnada, desigualdade e extremismo crescentes: você consegue imaginar uma política capaz de fazer algo a respeito?

Uma pandemia desaparece em meses, mas os problemas que apontei são desastres permanentes, em uma escala muito, muito maior. Nossa civilização não comporta por muito tempo todos os desastres somados. Um mundo de mudanças climáticas, extinção em massa, colapso ecológico e depressões econômicas vão necessariamente desencadear o extremismo político que, por consequencia, produz o caos social.

Para entender meu princípio, quero que você realmente entenda a economia do colapso. Nossa civilização está agora produzindo cada vez mais riscos do que é capaz de evitar, gerenciar e mitigar. Pense no quanto os seguros estão caros para você agora – seja o da casa, o de vida, o plano de saúde e assim por diante. Agora pense em quão mais caro tudo vai ficar amanhã à medida em que nossos sistemas financeiros e sociais falham. Você não vai conseguir pagar. As sociedades mais ricas do mundo não podem pagar para todos. Talvez alguns bilionários possam – comprando terras na Nova Zelândia para se refugiar, ou construindo naves espaciais para ir morar em Marte.

Mas e a nossa civilização? Os riscos que estamos gerando – econômicos, sociais, políticos, ambientais – são grandes demais para ela suportar. O colapso é iminente.

O fim do expansionismo

Este século é fim do capítulo expansionista da história humana, e está explodindo em fascismo, em violência, em estagnação, em miséria em meio à abundância, na raiva e no desespero. Essa é uma consequência natural do paradigma central – a mentalidade predatória-exploradora. Essa mentalidade sempre chegaria a um limite – e, quando isso acontecesse, a única coisa que restaria aos seres humanos para atacar seriam eles mesmos – as próprias sociedades, democracias, cidades, comunidades, rios, lagos, crianças, vidas.

Temos duas opções neste momento da história da humanidade

Entender nossa própria história, de uma vez por todas, é o caminho para escrevermos o próximo capítulo. Para que possamos voltar a ter o controle da narrativa e virar uma página que precisa ser virada. E começarmos a evoluir – a amadurecer. Uma espécie madura não derruba as próprias sociedades e não queima o próprio lar. Uma espécie madura não come os próprios filhotes nem os sacrifica a deuses imaginários, sejam eles do Olimpo ou dos “mercados”. Uma espécie madura é sábia, corajosa e gentil, com dignidade, justiça, verdade e plenitude para todos.

Se fizermos essa escolha, o próximo capítulo da história humana condiz com as imagens que a evolução científica e tecnológica nos faz acreditar. Uma espécie que é guardiã e protetora de todas as coisas nobres, boas e bonitas – seja democracia, dignidade, verdade, justiça ou a própria vida.

Ou então podemos voltar ao primeiro capítulo da história humana de marcha-ré. Repetimos a história de ser uma espécie predatória de exploração – exatamente ao contrário. Começamos com o fascismo e o genocídio – e acabamos vivendo em cavernas, caçando com lanças e cantando preces assustadas à luz do fogo para deuses vingativos. Eu diria que este ano, até agora, estamos nesse caminho, não é?

Vamos levar um tempo para entender a mensagem deste século – seu poder, sua força, seu significado – que precisamos virar a página de forma dramática e fundamental agora. Temos que traçar um novo caminho para nossa espécie – um caminho que nunca foi percorrido antes, porque nunca tivemos que traçar as fronteiras da maturidade.

Isso não vai acontecer da noite para o dia. Eu diria que já é tarde para começar, não é? Os riscos não poderiam ser maiores. Você leu o cenário acima? Aquele é o Homo Erectus. Ele não conseguiu sobreviver. Nós vamos?

É por isso que os riscos existenciais estão agora se tornando catastroficamente reais, cada vez mais rápidos, cada vez mais difíceis. De repente, o coronavírus interrompeu o mundo e matou centenas de milhares – o resultado de uma falta de saúde pública global se tornou chocante e mortífera. Agora imagine o que acontecerá na próxima década enquanto o planeta queima e inunda, ou então, enquanto os grandes ecossistemas implodem.

Aqueles de nós que não mergulharam na era das trevas – violentos, brutais, atrasados, governados por Trumps e Bolsonaros, idiotas que querem que todos morram – temos duas opções como civilização agora. Deixar o risco existencial sair de controle e nos destruir – como agora está começando a fazer, letalmente – ou fazer algo a respeito.

Isso me traz de volta ao princípio: o estímulo de hoje deve ser na direção de resolver os problemas de amanhã. É a única regra sobre a qual a economia e a política devem trabalhar. Ou então…

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Tiago é jornalista e escreve sobre tecnologia, política e desafios sociais contemporâneos. Trabalhou mais de 10 anos no varejo e no e-commerce de livros nacionais e importados. Atualmente cursa especialização em Ciências Humanas na PUCRS e Ciência Política no IERGS.