O mapa mundial da vacinação contra a covid

O vírus no iPhone de Jeff Bezos deveria nos apavorar

Em reportagem exclusiva, o jornal The Guardian teve acesso à investigação realizada no celular do dono do Washington Post e da Amazon.

A análise constatou que é “altamente provável”, segundo apurado pelo jornal britânico, que o celular do homem mais rico do mundo tenha sido invadido por um vírus através de um vídeo enviado pelo WhatsApp a partir do número de telefone usado pelo príncipe herdeiro do trono saudita, Mohammed bin Salman.

Jeff Bezos com Mohammed bin Salman durante visita aos EUA em março de 2018. Fotografia: Saudi Press Agency

“Uma grande quantidade de dados foi extraída do telefone de Bezos em poucas horas”, segundo a pessoa familiarizada com o assunto contou ao The Guardian, que diz não ter conhecimento do que foi retirado do telefone ou como as informações extraídas foram utilizadas.

A investigação sugere que o proprietário do Washington Post foi alvo da invasão cinco meses antes do assassinato de Jamal Khashoggi.

Os especialistas forenses digitais começaram a examinar o telefone de Bezos após detalhes íntimos da vida pessoal do empresário terem sido publicados, em janeiro passado, pelo tablóide National Enquirer.

As fotos teriam sido compradas pelo tablóide por US$200 mil do irmão da amante de Bezos. Foto: Reprodução.

O chefe de segurança de Jeff Bezos, Gavin de Becker, publicou um artigo em março onde denunciou que o advogado do National Enquirer tentou coagi-lo a dizer que não havia hackers. Além disso, descreveu “a estreita relação” que o príncipe herdeiro saudita havia desenvolvido com David Pecker, o executivo-chefe da empresa proprietária do Enquirer, nos meses anteriores à publicação da história de Bezos.

O caso de Bezos reaquece a suspeita de que existe uma relação entre a invasão do celular e o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que era colunista do Washington Post de Bezos.

Jornalista desaparece após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul — Foto: Reprodução/JN

Outra dúvida que fica é sobre a privacidade no WhatsApp. O Facebook segue alegando que usa código aberto para a criptografia de ponta a ponta no aplicativo, o que garante um nível reconhecido de segurança, mas não se pronunciou sobre este episódio até a publicação desta nota.

Mais uma vez, o que tudo indica, é que não existe 100% de privacidade online. Um vírus, propagado através de um vídeo, em um aplicativo com criptografia, pode ser uma novidade assustadora em um país como o Brasil, que praticamente adotou o WhatsApp como padrão de comunicação.

O perfil no Twitter da embaixada da Arábia Saudita nos Estados Unidos repudiou a reportagem.

No ano passado, o WhatsApp já havia sofrido um ataque por meio de arquivos de áudio. Na ocasião, a própria empresa se pronunciou da seguinte forma:

O ataque tem todas as características de ser de uma empresa privada que supostamente trabalha com governos para criar programas de espionagem que assumem as funções do sistema operacional do telefone“, disse o WhatsApp em maio.

Desta vez, com Jeff Bezos, o WhatsApp foi hackeado em um iPhone. Mas infelizmente isto não esclarece nada neste caso, uma vez que o arquivo infectado se instalou sem que o arquivo fosse aberto.

Na dúvida, é melhor mudar as configurações no WhatsApp para que arquivos de mídia não sejam baixados automaticamente. Isto evita baixar automaticamente no seu celular os vídeos recebidos por mensagem, mas ninguém garante que o estrago possa ser evitado.

O fim da privacidade como a conhecíamos parece ter chegado ao fim. Até para Jeff Bezos.