O mapa mundial da vacinação contra a covid

As possíveis vacinas contra a Covid-19 mais promissoras no mundo até agora

Foto: Shutterstock
Com informações de Wired,
The New York Times, The Guardian,
The Washington Post e 
Organização Mundial de Saúde (WHO).

Nem mesmo a cura – somente uma vacina – traria de volta um pouco da “normalidade” social e econômica às nossas vidas, empresas e países. É neste tom que a maior parte dos especialistas, epidemiologistas e cientistas envolvidos na linha de frente do combate à pandemia do novo coronavírus enxerga o futuro.

Bilhões de doses de vacina são necessárias o mais rápido possível para dar um fim à pandemia. Neste túnel que parece não ter fim, há uma luz: grandes laboratórios se destacam na corrida por uma vacina contra o novo coronavírus, e os estudos avançam e se encaminham para os testes clínicos em massa.

Tudo está sobre a mesa, incluindo a infecção deliberada de voluntários saudáveis.

Essa pandemia parece sem precedentes de várias maneiras“, declarou esta semana à revista Wired a especialista em ética médica da Universidade Northwestern, Seema Shah.

Ela é a autora de um novo artigo da revista Science que estabelece uma estrutura ética para os testes das vacinas experimentais em humanos.

Com pelo menos 115 projetos de vacinas de empresas e laboratórios de pesquisa, a ciência avança com tanta rapidez que até mesmo desenvolvedores veteranos de vacinas não sabem o que esperar.

Pesquisas relacionadas à vacina para a covid-19. Fonte: CEPI

De acordo com a Coalizão para Inovação e Preparação para Epidemias (CEPI), até o dia 9 de abril, nenhuma informação pública sobre o desenvolvimento de vacinas na África ou na América Latina estava disponível. No entanto, há capacidade de fabricação de vacinas nessas regiões.

Conheça abaixo quais laboratórios e países lideram a corrida, e também as características específicas de cada estudo.

Moderna Therapeutics (Estados Unidos)

Na quinta-feira, dia 7 de maio, a empresa de biotecnologia de Boston anunciou que a vacina batizada de mRNA-1273 havia sido liberada pela FDA para a segunda fase de experimentos. A empresa foi pioneira nos Estados Unidos ao realizar testes em humanos, ainda na primeira fase.

Esta nova fase do estudo eleva a Moderna Therapeutics ao mesmo patamar em que se encontra a possível vacina da Oxford University (veja logo abaixo).

Com a permissão da FDA para seguir em frente, a companhia – que alia algoritmos e robótica para fabricar vacinas anticâncer personalizadas – vai recrutar 600 participantes nas próximas semanas.

O objetivo é avaliar se a vacina pode ou não induzir o sistema imunológico de uma pessoa a produzir anticorpos que reconhecem o vírus SARS-CoV-2.

Em comunicado à revista Wired, a CEO da Moderna, Stéphane Bancel, se referiu à aprovação da FDA como um “passo crucial” que coloca a empresa no caminho certo para iniciar a terceira fase até setembro deste ano.

Ela espera obter a aprovação já em 2021. Mas a Moderna não tem capacidade para fabricar bilhões de doses. De olho no resto do mundo, na semana passada a empresa anunciou uma parceria de 10 anos com a farmacêutica suíça Lonza, que espera aumentar sua produção para dezenas de milhões de doses por mês em 2020 e centenas de milhões por mês em 2021.

Merck + Jenner Institute, da Oxford University (Inglaterra)

Os pesquisadores da Universidade de Oxford convenceram os reguladores britânicos a avançar com a segunda fase de um grande estudo envolvendo 6.000 pessoas enquanto o surto de covid-19 no Reino Unido ainda está ocorrendo.

A vacina é baseada em uma tecnologia que envolve a modificação genética de um vírus inofensivo para criar uma aparência semelhante ao SARS-CoV-2 que não causa a covid-19, mas desencadeia uma resposta do sistema imunológico.

Mesmo sem os resultados satisfatórios definitivos, o laboratório Merck já está produzindo um milhão de doses da vacina, que devem ficar prontas até setembro.

Pfizer + BioNTech (Estados Unidos + Alemanha)

A Pfizer e a empresa farmacêutica alemã BioNTech anunciaram que sua potencial vacina contra o coronavírus iniciou testes em humanos nos Estados Unidos na segunda-feira, 4 de maio. 15 voluntários saudáveis em Nova York receberam as primeiras doses de uma vacina baseada em mRNA.

Se os testes forem bem-sucedidos, a vacina poderá estar pronta para uso emergencial já em setembro no Estados Unidos.

A Pfizer e a BioNTech já injetaram nos primeiros voluntários humanos da Alemanha no mês passado a vacina chamada BNT162. A vacina experimental foi dada em apenas 12 adultos saudáveis por enquanto, embora a análise no país europeu tenha testes previstos com até 200 participantes.

Nos Estados Unidos, as duas empresas farmacêuticas planejam testar a vacina em 360 voluntários saudáveis para a primeira etapa do estudo, totalizando 8.000 voluntários até o final da segunda etapa.

CanSino Biologics (China)

A empresa chinesa publicou na plataforma da OMS, que registra as iniciativas do gênero dos setores público e privado, que recebeu sinal verde em março para iniciar os testes da primeira fase de duas candidatas à vacina.

Como as de Oxford e da Moderna, elas consistem em um vetor viral inofensivo que foi geneticamente modificado para se parecer com o SARS-CoV-2 o suficiente para desencadear uma resposta imune.

Em abril, uma dessas vacinas entrou na segunda fase de testes, e pesquisadores da província de Hubei agora estão tentando recrutar 500 pessoas para o estudo.

INOVIO Pharmaceuticals (Estados Unidos)

Na Universidade da Pensilvânia, pesquisadores estão testando a segurança de outra vacina genética, produzida pela empresa de biotecnologia Inovio. Com o nome de INO-4800, a vacina é feita de DNA sintético em vez de RNA, embora o princípio seja o mesmo.

Empacotada no DNA está uma seção da proteína do SARS-CoV-2, o vírus causador da Covid-19. A Inovio está testando duas doses de INO-4800 em 40 voluntários saudáveis divididos entre a Universidade da Pensilvânia e o Centro de Pesquisas Farmacêuticas em Kansas City, no Missouri.

Enquanto isso, no Brasil

A iniciativa brasileira é conduzida por um laboratório de imunologia da USP. Os cientistas adotaram uma estratégia similar à da criação das vacinas de HPV e de hepatite. Porém, a previsão é de que a vacina nacional fique pronta em pelo menos três anos.

É desolador, mas o que se pode fazer? Eu gostaria que isso ficasse pronto em um mês. Mas tem que fazer os experimentos. Teoricamente, eu te dou a vacina amanhã e você produz, mas antes eu tenho de ver se funciona“, afirma Jorge Kalil, médico de 66 anos que chefia o Laboratório de Imunologia do Incor (Instituto do Coração), da Faculdade de Medicina da Universidade da Universidade de São Paulo (FMUSP).