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Seu celular sabe se você está respeitando o isolamento social

Foto: Omar Prestwich, do Unsplash

Países como a China e a Coréia do Sul conseguiram conter a pandemia de covid-19 rapidamente utilizando os dados de localização dos smartphones dos cidadãos. Mas qual o limite deste uso e qual a sua disposição em autorizar o governo a usar os seus dados para conter o coronavírus? O governador de São Paulo assumiu publicamente hoje que está fazendo uso de dados das operadoras para estimar o percentual de adesão ao isolamento:

“Nada deveria ser decidido tão rápido”, declarou o editor de Vale do Silício para o site The Verge, Casey Newton. Ele conversou sobre o assunto com uma série de fontes ligadas às big techs e afirma que o governo dos Estados Unidos já está recebendo a movimentação dos celulares entre as antenas, tanto através das operadoras de telefonia quanto de empresas de publicidade online, como o Google e o Facebook, e cruzando essas informações, em princípio anônimas (agregadas), com os mapas das cidades.

Quão útil pode ser um mapa de calor dos movimentos humanos?

Casey Newton, do The Verge

Desta forma, epidemiologistas e outros especialistas em saúde pública e pandemias podem avaliar a propagação da covid-19 e tomar decisões sobre a extensão do isolamento social. É possível visualizar no mapa de calor humano, por exemplo, se as pessoas estão frequentando parques, indo trabalhar ou se estão se deslocando para os hospitais.

O Google já coleta estas informações e as disponibiliza publicamente. Quando você pesquisa um local na ferramenta de busca, por exemplo, o algoritmo calcula os horários de maior pico de um restaurante, de um supermercado e até mesmo de lugares públicos ao ar livre.

Enquanto isso, no Brasil

O Laboratório de Políticas Públicas e Internet, ou LAPIN, é um think-tank gerido por pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB) e é uma das referências na discussão sobre o uso de big data pelos governos para causas maiores, como a pandemia do coronavírus.

Você pode assistir ao debate promovido ontem, dia 8, no YouTube, com integrantes de outros grupos de pesquisadores, como o Data Privacy Brasil, o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) e o Information Policy Centre (CIPL).

Eles salientam a importância do uso desses dados neste momento, mas também alertam para os riscos que acompanham esta “liberação” para o uso estatal do big data.