A vacinação contra a covid-19 no mundo

Brasil esnoba a nova tecnologia da Apple-Google que rastreia a covid-19

Livraria Indigital
Imagem: Firn, Shutterstock
Com informações da Reuters

Autoridades de 23 países buscaram acesso à tecnologia de rastreamento de contatos da Apple e do Google, anunciaram as empresas ao lançar oficialmente a versão inicial do novo sistema há duas semanas.

A Apple e o Google disseram que vários estados dos EUA e 22 países buscaram acesso à tecnologia, mas não está claro quantos vão trabalhar efetivamente em aplicativos que utilizem a nova tecnologia.

Para que governos tenham acesso ao novo recurso, as autoridades não podem exigir números de telefone dos usuários – uma regras que as empresas não abrem mão. Esta é uma das várias restrições que deixaram os governos frustrados, mas por um motivo aparentemente nobre: as duas principais fabricantes de software e de smartphones do mundo dizem que reduziram a utilidade da tecnologia para priorizar a privacidade do usuário.

O uso de aplicativos para acelerar o rastreamento de contatos, nos quais as autoridades identificam e testam pessoas que estavam recentemente perto de um portador do vírus, surgiu como uma ferramenta para conter novos surtos. Isso poderia ajudar as autoridades de saúde a testar mais indivíduos potencialmente infectados do que normalmente poderiam, naõ apenas com base em pacientes que lembram com quem tiveram interações recentes.

Mas alguns governos afirmam que os esforços baseados em aplicativos seriam mais eficazes se pudessem rastrear a localização dos usuários para identificar pontos de acesso para transmissão de vírus e notificá-los sobre a possível exposição por meio de chamadas telefônicas ou mensagem SMS, ao invés de uma notificação genérica.

A nova tecnologia da Apple e do Google proíbe as autoridades de coletar dados de localização ou exigir que os usuários insiram dados pessoais.

Temos um embate entre profissionais de tecnologia, privacidade e saúde, e não parece haver um ponto nesse diagrama de Venn em que todos se sobreponham“, disse Chester Wisniewski, principal cientista da empresa de segurança cibernética Sophos, em entrevista à agência Reuters.

Diagrama de Venn. Reprodução.

A Austrália, o Reino Unido e outros países que desenvolveram tecnologia própria estão enfrentando falhas graves, como o gasto excessivo das baterias dos smartphones e também resistência da população para baixar e aderir ao uso dos aplicativos.

A Apple e o Google disseram que o novo sistema vai usar de forma mais confiável as conexões Bluetooth entre dispositivos para registrar usuários que estão próximos por pelo menos cinco minutos.

Os desenvolvedores de aplicativos de rastreamento de contatos para Áustria, Alemanha e Suíça disseram à Reuters que estavam avançando com a nova tecnologia Apple-Google e que não coletavam o número de telefone dos usuários.

Outros governos apostam nos próprios aplicativos. “A Noruega planeja comparar a eficácia de seu aplicativo Smittestopp com um novo aplicativo baseado no Apple-Google“, disse Peg Peggy Knudsen, vice-diretora interina do Instituto Norueguês de Saúde Pública em entrevista à Reuters.

O Smittestopp, que tem um orçamento de desenvolvimento de cerca de US$ 5 milhões, acessa a localização do GPS e requer números de telefone. Mas ele tem o uso limitado devido ao baixo número de novas infecções.

Se o rastreamento for muito melhor com a ferramenta Apple-Google, talvez devêssemos mudar e considerar o que precisamos fazer para migrar para a nova tecnologia“, disse Knudsen.

Um porta-voz do estado de Dakota do Norte, que lançou o primeiro aplicativo de rastreamento de contatos nos EUA, disse à Reuters que vai deixar o aplicativo Care19 como uma ferramenta de rastreamento diário de localização, como forma de ajudar os pacientes a lembrar os locais por onde passaram e com quem tiveram contato. Mas também vai lançar um novo aplicativo, batizado de Care19 Exposure, baseado na nova tecnologia Apple-Google.

O governo australiano disse que estava em negociações com a Apple e o Google sobre o aprimoramento do aplicativo COVIDSafe, que atualmente exige números de telefone, códigos postais e divide os usuários em faixas etárias.