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Com o impeachment, sairia o capitão e ficariam os generais

Se fosse colocado em pauta pelo presidente da Câmara, e se fosse eventualmente aprovado, não resolveria a crise política. Talvez a agravasse.

Foto: Joa Souza, Shutterstock (Salvador, 2017)
Foto: Joa Souza, Shutterstock (Salvador, 2017)
Foto: Joa Souza, Shutterstock (Salvador, 2017)

O impeachment é uma resposta mínima. Porém, se fosse colocado em pauta pelo presidente da Câmara, e se fosse eventualmente aprovado, não resolveria a crise política. Talvez a agravasse.

A intervenção militar foi eleita. Se saísse o capitão, ficariam os generais. E permaneceria tudo como está.

Os generais posam de sensatos atrás do capitão-mito. Será que havia algum general nas manifestações fora STF e fora Maia?

Para a imprensa, os verdinhos fazem de conta que não têm nada com isso.

O fato é que, neste governo, não existe ala militar, ala ideológica, ala disso e daquilo. São todos de uma única ala: a ala disso que tá aí. O vídeo da reunião ministerial, tornado público pelo STF, parece ter um potencial desastroso para todas as alas.

O ministério de Bolsonaro alimenta a ilusão bolsonarista com as vozes de estrategistas lunáticos. “Se colar, colou” que são íntegros patriotas, a ala lúcida da razão de um governo que decreta e desdecreta o que quer, dia e noite.

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A soldadesca miliciana e rude assume a parte braçal e apoia aquilo que os generais não podem apoiar em público, como as loucurinhas do AI-5, a intervenção militar e a guerrilha digital contra o STF e o Congresso. Os generais? Mãos e beiços desinfectados com álcool gel – essas ideias fazem parte do jogo democrático e ponto final e “não vamos nos pronunciar“.

Especular sobre quem conspira não é pecado: quem acredita nessa encenação dos que comemoram a revolução de 1964? Será que esses interventores cívico-militares toparam ser cupinchas dos moradores do Vivendas da Barra?

Se não são cupinchas, então integram a facção mafiosa, corrupta e obscura que agora aparelha o Estado Brasileiro igual acusam o projeto comuno-ateu-petista de fazer pelo país.

Vice-presidente ajudou a convocar grupos de WhatsApp para manifestações antidemocráticas do dia 15 de março de 2020

Qualquer que seja a resposta, ela não interessa. O genocídio causado pelo coronavírus, e incentivado pelo capitão dos generais, é de longe o assunto mais urgente. Os militares mal jogaram para debaixo do tapete as atrocidades e a vergonha da ditadura e agora precisam lidar com mais essa tragédia sem precedentes da qual são cúmplices.

Apagar dos livros de história é fácil. Negar através de olavismos e terraplanismos é fácil. Apagar das próprias biografias é impossível.

Arte sobre reprodução do Twitter.

Ser um General não é para qualquer um, não é como ser um ministro passageiro, é um posto para sempre. O ápice da hierarquia militar. Os generais civis do Planalto sabem muito bem com quem andam, onde estão e o que fazem.

Eles sabem quem coordena e sabem quem são os que consomem o lixo digital tóxico disparado pelo gabinete do ódio – aquele ministério informal dado a um vereador que fica do ladinho do gabinete do general-civil-ministro Heleno.

A intervenção militar foi eleita. Com o impeachment, sai o capitão do Planalto mas ficam os generais, os robôs, os amigos, o bolsonarismo. Ainda ficam de corpo presente Eduardo e Flávio ocupando cargos públicos relevantes, cada um com um universo próprio de encrenca.

Uma pista de que a hibernante oposição se deu conta disso foi o movimento deste sábado de Marcelo Freixo, deputado federal do PSOL, que abriu mão da candidatura à prefeito do Rio de Janeiro em nome da união de um bloco antifascista.

Marcelo Freixo é um dos primeiros políticos da esquerda que captou esse cenário inédito e lançou uma tentativa de confrontar amplamente o levante reacionário que une desde os movimentos monarquistas, milicianos e fundamentalistas religiosos, até um empresariado nada interessado em ideologias mas cheia de interesse pelas boas (e gordas) licitações públicas.

O #foraBolsonaro de hoje consolida a militarização do executivo federal. Os generais, esses seres misteriosos e estrategistas, vão apoiar as aventuras da soldadesca miliciana? Ou vão primar pela manutenção de um estado minimamente democrático?

Quais os riscos reais que correm as eleições de 2022? O resultado vai ser aceito se a tal frente ampla antifascista vencer?

O dólar e a bolsa ilustram as incertezas do mundo inteiro com o Brasil.

Tiago escreve sobre tecnologia, política e desafios sociais contemporâneos. É editor e redator em Vida Indigital, e redator voluntário na Rede de Produtores de Conteúdo da Politize!, uma ONG dedicada à Educação Política. É jornalista e especialista em Ciências Humanas pela PUCRS. Trabalhou e empreendeu no varejo de livros por mais de 10 anos.
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