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Apple destaca pedidos de acesso a contas no Brasil

Dos 448 pedidos recebidos do Brasil, a empresa atendeu 351 e não dá detalhes das investigações que levaram a estes pedidos.

Os dados são do relatório de transparência, da própria empresa, divulgado nesta semana.Com informações de Cnet e Techcrunch.

Reprodução: Apple Transparecy Report

A gigante Apple revelou esta semana as solicitações de segurança nacional em todo o mundo referentes aos dados de clientes. Apesar de divulgado somente agora, os números compreendem os pedidos recebidos pela empresa no 1º semestre de 2019.

Campanha publicitária: Privacidade

O Brasil é destacado no relatório com um alto número de pedidos oficiais – da justiça ou do governo – de acesso a dados de clientes, totalizando 7% de todos os pedidos. Dos 448 pedidos recebidos do Brasil, a empresa atendeu 351, e não deu detalhes das investigações que levaram a estas solicitações.

“Tais solicitações são aquelas (…) que suspeitam que uma conta possa ter sido usada ilegalmente ou violando os termos de serviço”, diz a empresa.

“As solicitações geralmente buscam detalhes das contas do iTunes ou iCloud dos clientes, como nome e endereço; e, em certos casos, o conteúdo do iCloud dos clientes, como fotos armazenadas, e-mail, backups de dispositivos iOS, contatos ou calendários”, diz o relatório de transparência.

Os Estados Unidos lideram o ranking, com 55% dos 6.480 pedidos de acesso a conteúdos de contas. O relatório divulgou também os pedidos de acesso a aparelhos feitos por governos do mundo todo, que chegaram a 31.778 no período analisado.

A Apple forneceu os dados em 82% dos pedidos de acesso a contas, incluindo quais clientes estão associados a quais dispositivos, além de informações sobre compras, atendimento ao cliente e até mesmo se os aparelhos utilizaram o Apple Care (assistência técnica).

O relatório, que este ano foi divulgado com atraso de seis meses, permite algumas constatações sobre a política de privacidade vigente. Eis algumas:

Números divulgados desmentem tweets de Trump

Depois de ser acusada por Trump no Twitter de dificultar o acesso a informações de condenados por crimes nos EUA, a empresa não rebate diretamente as alegações do presidente, mas fala através dos números que Trump está errado. A Apple colabora com as autoridades 82% das vezes que é solicitada a fazer isso nos EUA e por autoridades judiciais e governamentais de diversos países.

Não existe 100% de privacidade no mundo digital

A Apple alega não saber como os dados entregues são usados, ou o teor de qualquer investigação que resulte em pedidos desta natureza. A empresa simplesmente não garante o sigilo dos seus dados se alguém ou alguma instituição (ou um juiz) do seu país julgue necessário ver seu iCloud para produzir provas contra você.

Claro que se chegar a este ponto, é provável que você realmente tenha cometido algum crime – até porque, se fosse inocente, nada teria a esconder e possivelmente já haveria entregado suas informações de boa-fé às autoridades. De qualquer forma, o sigilo no mundo digital nunca é 100% garantido. Nem pela Apple.